quarta-feira, 30 de agosto de 2017

O que é melhor para saúde: gordura ou carboidrato?

Sem sombra de dúvida, o melhor é ter bom senso! O assunto é polêmico e novas evidências chegam  a cada dia. No entanto, a leitura da literatura científica deve ser criteriosa. Ler apenas o título ou o resumo de um artigo não melhora em nada a assistência ao paciente. Além disso, pode contribuir para propagação de desinformação e do terrorismo nutricional. Dito isto, vamos dar uma olhada no estudo PURE, publicado no periódico médico The Lancet, em agosto de 2017.



O estudo PURE avaliou o quanto a composição da nossa alimentação é responsável por desfechos adversos como morte ou problemas cardiovasculares. Para fazer isso, os pesquisadores selecionaram pessoas entre 35 e 70 anos de idade em 18 países (incluindo o Brasil) e aplicaram questionários para saber o que essa turma comia. Mais de 130 mil indivíduos foram acompanhados por cerca de 7 anos. Após as devidas análises, os pesquisadores perceberam que o maior consumo de carboidratos aumentou o risco de morte por qualquer causa em 28%. Já o maior consumo de gordura, independente do tipo, se associou com um risco 23% menor de morrer por qualquer causa. Nem carboidratos nem gorduras foram culpados por problemas cardiovasculares. A exceção foi que o risco de acidente vascular encefálico, popularmente conhecido como “isquemia” ou “AVC”, foi menor nos indivíduos com maior consumo de gordura saturada. Olhando superficialmente, comer um monte de gordura e pouco carboidrato seria a melhor opção para saúde. Será mesmo?
Primeiramente, é importante definir o que foi o “maior consumo” tanto de gordura quanto de carboidratos. No caso dos carboidratos, a ingestão associada a aumento no risco de morte foi de 67,7% do total de calorias. No caso das gorduras, a ingestão máxima foi de 35,3%. Em outras palavras, a ingestão de carboidratos deletéria estava acima do considerado apropriado para as diretrizes (45 a 65%) e a ingestão de gordura estava dentro do considerado apropriado (20 a 35%). Ou seja, o abuso na ingestão de carboidratos pode ser parte do problema.
Quando falamos de carboidratos, falamos de açúcar, pães, massas, mas também falamos de cereais integrais, frutas e vegetais. O problema é que o estudo não faz essa diferenciação! Será que o aumento da mortalidade no grupo que consumiu mais carboidratos foi por que as pessoas comeram mais arroz integral, ou será que foi por que beberam mais refrigerante? Essa é uma informação essencial que não foi reportada. Além disso, muitas das fontes de carboidratos refinados são produtos processados, que muitas vezes costumam também conter sódio e gordura trans em excesso, dois vilões conhecidos. No entanto, esta informação também não é disponibilizada pelo estudo.
Assim como as fontes de carboidratos não são adequadamente reportadas, as de gordura também não são. Ao contrário do que possa parecer, o estudo não avaliou apenas óleos vegetais, banha ou manteiga. Avaliou a composição da dieta como um todo. Alimentos que consumimos diariamente, mesmo quando preparados sem óleo/azeite/banha, possuem gordura naturalmente (carne, peixe, queijo, castanhas, cereais, iogurte…) ou adicionada (diversos alimentos processados). Em outras palavras, podemos ter duas dietas com a mesma quantidade de gorduras e carboidratos, muito diferentes uma da outra, uma saudável e outra nem tanto.
Aliás, sabemos que nossa alimentação varia dia após dia, semana após semana, ano após ano. O estudo aplicava o questionário alimentar em intervalos de 3 anos. Será mesmo que todo paciente manteve exatamente o mesmo padrão durante todo este período? Será que alguns pacientes não modificaram suas dietas, para um consumo menor de gorduras justamente por terem um risco maior de problemas de saúde? Será que as pessoas que consumiam mais gordura não se permitiam a isso por serem mais saudáveis? São questões que os próprios autores do trabalho reconhecem não ter conseguido responder.
Por fim, este estudo definitivamente não dá respaldo a dietas com restrições extremas de carboidratos ou abusivas em gorduras (very low carb e cetogênicas), já que os participantes não comeram menos de 42% de carboidratos, nem mais do que 38% de gordura.
Em resumo, gorduras não são as vilãs que se pregava em outros tempos, desde que consumidas dentro de um padrão alimentar e de atividade física equilibrado. Já o consumo abusivo de carboidratos, especialmente refinados ou vindos de alimentos altamente processados, pode sim trazer prejuízos à saúde. Ou seja, como dito antes, o melhor é optar pelo bom senso!

Fonte:
1- Associations of fats and carbohydrate intake with cardiovascular disease and mortality in 18 countries from five continents (PURE): a prospective cohort study. August, 2017. The Lancet.

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.576 - RQE 22.991

terça-feira, 29 de agosto de 2017

Vitamina D e diabetes mellitus

O interesse por vitaminas para a prevenção de doenças não é novo. Na década de 1980, as vitaminas A e E ganhavam os holofotes. Estudos epidemiológicos sugeriram que estas vitaminas antioxidantes pudessem prevenir câncer e doenças cardiovasculares. Foi motivo de muita euforia e expectativa. Descobria-se um tratamento natural e barato para prevenir doenças prevalentes e graves. No entanto, em ciência, toda hipótese, por mais sensata que possa parecer, precisa ser devidamente testada. Foram desenhados grandes estudos nos quais se fornecia vitaminas para pacientes em risco de câncer ou de doenças cardiovasculares de maneira aleatória e controlada por placebo (ensaios clínicos randomizados, duplo-cegos, controlados por placebo). No início da década de 1990, os resultados destes estudos começaram a ser publicados em importantes revistas médicas. Para decepção geral, a suplementação com vitamina A aumentou o risco de câncer de pulmão e teve efeito neutro na mortalidade cardiovascular. A vitamina E não ajudou a prevenir doenças cardíacas e vasculares e aumentou o risco de câncer de próstata e de morte. A história da ciência traz lições importantes...



Hoje é a vitamina D que está na moda! Esta vitamina participa na regulação do metabolismo do cálcio, garantindo saúde óssea e ajudando a prevenir fraturas. Além disso, a vitamina D parece desempenhar outras funções biológicas. Diferentes estudos associam sua deficiência a diversos problemas de saúde. Câncer, doenças autoimunes (como esclerose múltipla e artrite reumatoide), doenças infecciosas (como tuberculose e viroses), doenças neurológicas, hipertensão arterial e doenças cardiovasculares já foram associadas à deficiência de vitamina D. E os diabetes mellitus tipo 1 e tipo 2 não ficaram de fora!
Estudos observacionais e de caso-controle sugerem que a deficiência de vitamina D possa estar associada ao desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 1 em crianças. Alguns estudos pequenos e não controlados também sugerem que uma suplementação na infância possa ajudar a prevenir a doença. No entanto, até o momento, não existem estudos robustos confirmando estes achados preliminares.
Pacientes obesos e com diabetes mellitus tipo 2 frequentemente apresentam deficiência de vitamina D, mas o excesso de peso parece ser o culpado pela deficiência da vitamina e não o inverso. Uma revisão sistemática de 21 estudos evidenciou que quanto menores os níveis de vitamina D no sangue, maior o risco de diabetes mellitus tipo 2. Outros estudos também sugerem associação da deficiência com mais gordura abdominal e síndrome metabólica. E uma única substância natural e barata desponta como um promissor tratamento para diversos males! Conhecemos uma história parecida, não? E a ciência parte para testar a hipótese de que a suplementação de uma vitamina possa ser útil na prevenção de doenças prevalentes e graves mais uma vez...
Uma revisão sistemática dos estudos que procuraram testar se a suplementação de vitamina D poderia ajudar a diminuir o risco cardiovascular encontrou 18 ensaios clínicos que avaliaram este tipo de tratamento. Para grande decepção, a vitamina D não ajudou a prevenir diabetes nem doenças cardiovasculares. Apresentou apenas um efeito muito discreto na pressão arterial sistólica: reduziu em média 1,9 mmHg. Isto quer dizer que num paciente com pressão de 140/90 mmHg, o efeito médio foi redução para 138,1/90 mmHg. Quase nada!
Mas isso quer dizer que a vitamina D não é importante para quem é diabético ou apresenta risco para esta doença? Não! Isto quer dizer que até o momento a suplementação de vitamina D não se mostrou eficaz para prevenir ou tratar o diabetes mellitus, logo, não pode ser recomendada com estas finalidades. Se doses mais elevadas, maior tempo de uso, maior exposição ao sol podem fazer diferença, ainda não sabemos. Estudos precisam ser feitos para avaliar estas hipóteses.
Assumir que um tratamento, por mais inofensivo que possa parecer, é eficaz, além de gerar custos desnecessários, pode expor pessoas a riscos ainda desconhecidos. Basta lembrar dos pacientes que foram tratados com suplementação de vitaminas A e E e que tiveram mais câncer por causa disso...

Fontes:
1- Ciência Picareta - Ben Goldacre - Ed. Civilização Brasileira
2- Vitamin D and extraskeletal health - Up To Date On Line
3- Song Y, Wang L, Pittas AG, Del Gobbo LC, Zhang C, Manson JE, Hu FB. Blood 25-hydroxy vitamin D levels and incident type 2 diabetes: a meta-analysis of prospective studies. Diabetes Care. 2013;36(5):1422.
4- Pittas AG, Chung M, Trikalinos T, Mitri J, Brendel M, Patel K, Lichtenstein AH, Lau J, Balk EM. Systematic review: Vitamin D and cardiometabolic outcomes. Ann Intern Med. 2010;152(5):307.

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.576 - RQE 22.991

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

Hipotireoidismo e níveis de colesterol e triglicerídeos

Os hormônios produzidos pela glândula tireoide são responsáveis por regular nosso metabolismo. Desde a década de 1960, sabe-se que pacientes com hipotireoidismo, isto é, com baixa produção de T4 e T3 pela tireoide, podem ter dislipidemia (níveis elevados de lipídios - colesterol e triglicerídeos). Vamos entender como isso ocorre.



Em uma série de 295 pacientes com hipotireoidismo, apenas 8,5 por cento tinham níveis normais de colesterol e triglicerídeos. A grande maioria dos pacientes com deficiência de hormônios tireoidianos apresentava elevação principalmente do colesterol total e do colesterol LDL (“colesterol ruim”). Isso ocorre porque no hipotireoidismo os receptores celulares de LDL estão diminuídos em número e em atividade. Ou seja, nossas células perdem a capacidade de captar o colesterol da corrente sanguínea e ele sobe. Além disso, a oxidação LDL está acelerada, o que aumenta a deposição do colesterol nas paredes dos vasos sanguíneos, processo que damos o nome de aterosclerose e que leva a doenças vasculares como infarto e isquemias.
O aumento no risco das doenças vasculares visto no hipotireoidismo não é só culpa das alterações dos lipídios. A deficiência hormonal também é responsável por elevar a pressão arterial diastólica, causar disfunção no endotélio (camada que reveste o interior dos vasos sanguíneos) e aumentar marcadores inflamatórios como a proteína C reativa. Um verdadeiro combo aterosclerótico!
Quando olhamos o problema de outra perspectiva, também podemos constatar que pessoas com elevação do colesterol e triglicerídeos têm uma chance maior de receber o diagnóstico de hipotireoidismo. Alguns levantamentos demonstram que cerca de 7 por cento dos indivíduos com dislipidemia também apresentam diagnóstico de hipotireoidismo. Logo, TODO paciente com elevação nos níveis de colesterol ou triglicerídeos deve ser avaliado para hipotireoidismo.
Felizmente, o tratamento do hipotireoidismo com levotiroxina, hormônio sintético da tireoide, também tem efeito positivo nos níveis de colesterol. Quanto pior a deficiência de hormônio e mais elevados os níveis de colesterol, melhor parece ser a resposta. Em um estudo, pacientes com hipotireoidismo e colesterol total acima de 310 mg/dL, apresentaram queda de 131 mg/dL nos níveis, em média.
Em resumo, o hipotireoidismo costuma causar elevação nos níveis de colesterol e triglicerídeos, logo, todo paciente com dislipidemia também precisa ser avaliado para deficiência de hormônio tireoidiano.

Fonte: Lipid abnormalities in thyroid disease – UpToDate Online

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.576 - RQE 22.991

domingo, 13 de agosto de 2017

Rachando a mania por óleo de coco

Não canso de repetir: a internet é uma ferramenta maravilhosa de busca e acesso à informação, mas devemos ter cuidado com a grande quantidade de besteira que circula na rede! Um dos últimos engôdos é citar a respeitada Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, para tentar justificar o modismo do “óleo de coco que tudo trata”.
Costumo sempre escrever meus próprios textos, mas para fazer frente a tanta lorota e mentira, desta vez vou apenas traduzir um texto publicado no blog de saúde da Universidade de Harvard, no dia 10 de abril de 2017, sobre o óleo de coco. Boa leitura!



Rachando a mania por óleo de coco

Julie Corliss, editora do Harvard Heart Letter

Se você buscar no Google "óleo de coco", verá uma enorme quantidade de histórias promovendo os alegados benefícios para a saúde desta gordura branca sólida, que é fácil de encontrar nos supermercados nos dias de hoje. Mas como pode algo que é repleto de gordura saturada - uma conhecida culpada em levantar risco de doença cardíaca - ser bom para você?
O coco tem algumas qualidades únicas que os entusiastas citam para explicar seus possíveis benefícios à saúde. Mas a evidência para apoiar essas alegações é muito frágil, diz o Dr. Qi Sun, professor-assistente no Departamento de Nutrição da Escola de Saúde Pública de Harvard.
"Se você quiser reduzir o risco de doença cardíaca, o óleo de coco não é uma boa escolha", diz ele. É verdade que o óleo de coco tende a aumentar o colesterol HDL, benéfico, mais do que outras gorduras, possivelmente por ser rico em ácido láurico, um ácido graxo que o corpo processa de forma ligeiramente diferente do que faz outras gorduras saturadas.

O efeito do óleo de coco sobre o colesterol

Mas não há evidências de que o consumo de óleo de coco possa diminuir o risco de doenças cardíacas, de acordo com um artigo publicado em abril de 2016 no periódico Nutrition Reviews. O estudo, intitulado "Coconut Oil Consumption and Cardiovascular Risk Factors in Humans", revisou resultados de 21 estudos, a maioria dos quais examinou os efeitos do óleo de coco ou produtos de coco sobre os níveis de colesterol. Oito foram ensaios clínicos, em que voluntários consumiram diferentes tipos de gorduras, incluindo óleo de coco, manteiga e óleos vegetais insaturados (como oliva, girassol, cártamo e óleo de milho) por curtos períodos de tempo. Em comparação com os óleos insaturados, o óleo de coco aumentou os níveis de colesterol total, HDL e LDL, embora não tanto quanto a manteiga.
Estas conclusões estão de acordo com os resultados de um estudo realizado pelo Dr. Sun e colegas na edição de 23 de novembro de 2016 do British Medical Journal, que examinou as ligações entre diferentes tipos de ácidos graxos saturados e doenças cardíacas. Comparado com outras gorduras saturadas (como o ácido palmítico, que é abundante na manteiga), ácido láurico não parece aumentar tanto o risco cardíaco. Contudo, é provável que o baixo consumo de ácido láurico da dieta americana tenha tornado mais difícil detectar qualquer tipo efeito, observa o Dr. Sun.

Dietas tropicais são diferentes

Os defensores do óleo de coco apontam para estudos de populações indígenas em partes da Índia, Sri Lanka, Filipinas e Polinésia, cujas dietas incluem quantidades copiosas de coco. Mas suas dietas tradicionais também incluem mais peixes, frutas e legumes do que as dietas típicas americanas, então esta comparação não é válida, diz o professor da Faculdade de Medicina de Harvard, Dr. Bruce Bistrian, que é chefe de nutrição clínica no Beth Israel Deaconess Medical Center.
Algumas marcas de óleo de coco disponíveis no comércio são rotuladas como "virgem", significando que são feitas através da prensagem da polpa do coco fresca, separando então o óleo. Tem gosto e cheiro de coco, ao contrário do óleo de coco refinado, clarificado e desodorizado feito a partir da polpa de coco seca, usado em alguns alimentos processados e cosméticos. Óleo de coco virgem contém pequenas quantidades de compostos antioxidantes que podem ajudar a reduzir a inflamação, um processo prejudicial que se acredita que possa piorar a doença cardíaca. Mas até agora, a prova de qualquer benefício possível é limitada a pequenos estudos em ratos e camundongos, diz o Dr. Bistrian.

Gorduras insaturadas

Em contraste, há uma riqueza de dados mostrando que dietas ricas em gordura insaturada, especialmente azeite de oliva, possam diminuir o risco de doença cardiovascular, Dr. Sun aponta. A evidência vem não somente de muitos estudos observacionais (como aqueles no relatório acima mencionado de BMJ), mas também de um estudo clínico espanhol pioneiro, que demonstrou que pessoas que consumiram uma dieta mediterrânea rica em azeite de oliva extravirgem ou em oleaginosas (castanhas, amêndoas, nozes) tiveram menor risco de ataque cardíaco, acidente vascular cerebral e morte por doença cardíaca do que as pessoas que seguiram uma dieta com baixo teor de gordura.
Claro, não há necessidade de evitar completamente o óleo de coco, se você gosta do sabor. Alguns padeiros usam óleo de coco em vez de manteiga em produtos assados, e o leite de coco é um ingrediente chave na culinária tailandesa e alguns pratos indianos. Apenas considere estas iguarias como prazeres ocasionais, não como uma obrigação diária.

Fonte do original em inglês:

Em resumo, o óleo de coco não é um suplemento, muito menos um medicamento. É um alimento como qualquer outro. A opção pelo seu uso é exclusivamente culinária, já que não há evidências que opere qualquer milagre pela saúde humana.

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.576 - RQE 22.991

terça-feira, 8 de agosto de 2017

Vamos falar sobre o colesterol?

O colesterol tem sido o centro das atenções ultimamente, frequentemente surgem notícias controvérsias que acabam confundindo as pessoas. Embora muitos achem que o colesterol seja uma substância maléfica, ele é primordial para o funcionamento do nosso corpo, mas seus níveis devem estar equilibrados. Então vamos conversar um pouco mais sobre essa substância, os diferentes tipos presentes no nosso organismo, suas funções e importância?




1.O QUE É O COLESTEROL?

O colesterol é um tipo de gordura encontrada naturalmente no nosso organismo. Ele é fundamental para o funcionamento do nosso corpo já que serve de substrato para a formação da membrana das nossas células, produção de hormônios, vitamina D, produção da bile (que ajuda na digestão de gorduras), formação da bainha de mielina dos nervos (uma espécie de “proteção” dos nervos) e metabolização de algumas vitaminas. Cerca de 70% do colesterol é fabricado pelo nosso próprio organismo, no fígado, enquanto os outros 30% vêm da dieta.

2. QUAIS OS TIPOS DE COLESTEROL EXISTENTES?

Como o colesterol é solúvel apenas em gorduras, ele precisa se unir às lipoproteínas para conseguir circular pela corrente sanguínea. Entre as principais lipoproteínas, que são produzidas pelo fígado, temos:

– LDL (Low-density lipoprotein)
– HDL (High-density lipoprotein)

O colesterol carregado pela LDL é conhecido como “colesterol ruim” pois nesses casos o colesterol é transportado para os tecidos e vasos sanguíneos, levando à formação de placas de gordura nas artérias (aterosclerose), o que aumenta o risco para doenças cardiovasculares. Já o colesterol carregado pelo HDL é chamado de “colesterol bom”, já que ele faz o caminho inverso, ou seja, retira da circulação o excesso de colesterol da corrente sanguínea e o leva para o fígado para ser eliminado.

Além do colesterol bom e ruim temos ainda os triglicerídeos (TG) que constituem uma das formas de armazenamento de energia mais importantes no nosso organismo, depositado nos tecidos adiposo e muscular, mas se em excesso também pode ser prejudicial para a saúde.

3. QUAIS OS RISCOS DO EXCESSO DE COLESTEROL?

Quando o colesterol ruim (LDL) está em excesso, ele se deposita nas paredes das artérias determinando o que chamamos de aterosclerose. A aterosclerose é uma doença inflamatória crônica que pode ser piorada ou provocada por diversos fatores, como o colesterol elevado, diabetes, hipertensão arterial ou tabagismo. Como consequência do acúmulo de gordura dentro dos vasos sanguíneos pode ocorrer o estreitamento ou até obstrução desses vasos levando a complicações graves, como o infarto do miocárdio ou angina, dor ou isquemia dos membros inferiores e acidente vascular cerebral. 

4. QUAIS AS CAUSAS DA ELEVAÇÃO DO COLESTEROL?

Existem 3 causas principais para elevação do colesterol, são elas: 
- Causas genéticas, onde a mutação de genes modifica a formação, degradação ou transporte do colesterol levando ao seu acúmulo
- Hábitos de vida: pacientes que se alimentam de forma inadequada, ingerem alimentos ricos em gorduras prejudiciais, sedentários, fumantes
- Outras doenças: pacientes podem ter aumento dos níveis de colesterol secundário a outras comorbidades, como hipotireoidismo, diabetes, obesidade e doenças renal

5.  QUAIS OS SINTOMAS DO COLESTEROL ELEVADO?

Em geral o colesterol alto não costuma provocar sintomas, sendo uma doença silenciosa até o aparecimento de alguma complicação, como infarto do miocárdio ou derrame cerebral. O colesterol em excesso também pode se depositar no fígado, levando à esteatose hepática

6. COMO É FEITO O DIAGNÓSTICO DO AUMENTO DO COLESTEROL?

Uma vez que o aumento do colesterol costuma ser assintomático, o diagnostico deve ser feito através de exames de sangue, com a dosagem do colesterol total (CT), HDL-c e  triglicerídeos (TG). Quanto ao LDL, a maioria dos laboratórios calcula seu valor com base nas demais dosagens, sendo assim, seu médico não necessariamente precisa solicitá-lo nos exames de sangue, podendo ele mesmo estimar o valor a partir das demais frações. 

Quanto ao preparo para a coleta do exame, não há mais a necessidade de jejum de 12 horas e os laboratórios devem informar em seus laudos os valores de referência para coletas sem jejum e com jejum de 12 horas. A obrigatoriedade do jejum prolongado deverá ser avaliada pelo médico que acompanha o paciente, pois em alguns casos específicos, como na presença de níveis de triglicérides acima de 440 mg/dL fora do estado de jejum, o exame deve ser repetido com o jejum de 12h

7. QUAIS SÃO OS VALORES CONSIDERADOS NORMAIS?

A interpretação clínica dos resultados deverá levar em consideração o motivo da indicação do exame, o estado metabólico do paciente e a estratificação do risco cardíaco. Por exemplo, o valor desejável do LDL-c vai depender do quadro clinico do paciente, sendo que quanto maior for seu risco cardiovascular calculado menores devem ser seus níveis de LDL-c.


8. E COMO REDUZIR OS NÍVEIS DE COLESTEROL?

Para melhorar os níveis de colesterol e mantê-los dentro de uma faixa adequada os hábitos de vida saudáveis são fundamentais! É muito importante manter o peso adequado, não fumar, reduzir consumo de bebidas alcoólicas, reduzir o consumo de açúcares, preferir carboidratos complexos (alimentos integrais) aos simples.
Quanto ao consumo de gorduras, recomenda-se a substituição parcial de ácidos graxos saturados por insaturados (gorduras mono e poli-insaturadas). Apesar de os ácidos graxos saturados apresentarem importantes funções biológicas, seu elevado consumo está associado a comprovados efeitos deletérios, tanto sob o ponto de vista metabólico quanto cardiovascular. Já as gorduras trans devem ser excluídas totalmente da dieta! Na tabela abaixo temos exemplos dos tipos de gorduras contida em alguns alimentos


O consumo de fibras solúveis também ajuda na redução do colesterol. O Psyllium é a fibra solúvel mais estudada na redução do colesterol, mas estudos com farelo de aveia demonstram resultados semelhantes ao Psyllium, com redução de LDL-c e CT, porém sem efeitos significativos sobre o HDL-c e os TG. A ingestão mínima recomendada de fibras por dia é de 25g para fins de proteção para doença cardiovascular

Quanto aos probióticos, até o momento, os estudos mostram ausência de seu efeito ou redução muito modesta das concentrações de LDL-c.

Quando as medidas não farmacológicas não são suficientes para se manter um bom controle do colesterol, o seu médico pode prescrever medicações auxiliares. A decisão para o início da terapia medicamentosa vai depender principalmente do risco cardiovascular do paciente e suas metas de LDL-c bem como do tipo de dislipidemia presente, pois alguns medicamentos agem mais sobre as taxas de colesterol ruim (LDL) enquanto outros tem ação predominantemente nas taxas de triglicerídeos. Quanto às medicações atualmente disponíveis para o tratamento das dislipidemias, isso será assunto para outro post...

É muito importante lembrar que os cuidados com a alimentação e exercício devem ser para sempre, assim como o uso de medicamentos, quando indicados, deverão ser empregados por tempo indeterminado. Os níveis de colesterol elevados podem levar a doenças graves e incapacitantes, sendo assim, mantenha os bons hábitos de vida, faça seus exames e consulte seu médico regularmente e, se estiver usando alguma medicação para baixar o colesterol, nunca suspenda o uso sem conversar com o seu médico!


FONTES:
1. Consenso Brasileiro para a Normatização da Determinação Laboratorial do Perfil Lipídico,  elaborado em conjunto pelas Sociedades Brasileiras: Cardiologia/Departamento de Aterosclerose (SBC/DA), Patologia Clínica e Medicina Laboratorial (SBPC/ML), Análises Clínicas (SBAC), Diabetes (SBD) e Endocrinologia e Metabologia (SBEM).
2. Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção de Aterosclerose- 2017. 
 Sociedade Brasileira de Cardiologia •  Volume 109, Nº 2, Supl. 1, Agosto 2017


Fernanda M. Fleig
Endocrinologista
CREMERS 33785 / RQE 28970
https://www.facebook.com/fernanda.endocrinologista/

sexta-feira, 4 de agosto de 2017

Fazendo uso correto da levotiroxina (hormônio tireoidiano)

O paciente que faz tratamento com levotiroxina, o hormônio tireoidiano, deve atentar para alguns detalhes importantes. O objetivo das recomendações a seguir é facilitar o ajuste da dose, assim como mantê-la estável.



Recomendação 1.

Sempre informe seu endocrinologista do horário e maneira como está tomando a levotiroxina. A recomendação da bula, é tomar o hormônio de estômago vazio, na primeira hora da manhã, idealmente 1 hora antes do café, já que alimentos podem interferir na absorção dos comprimidos. No entanto, em algumas situações, seu médico poderá fazer alguma recomendação diferente, adaptando o tratamento as suas necessidades.

Recomendação 2.

Informe seu médico da marca do medicamento em uso e se foram feitas mudanças recentes na dosagem ou na marca. Nestes casos, é recomendado repetir a dosagem do TSH para se certificar que a nova apresentação ou dosagem está de acordo com suas necessidades.

Recomendação 3.

Avise seu médico sobre o uso de outros medicamentos. Alguns medicamentos de uso corrente podem interferir na função tireoidiana e fazer com que a dose de levotiroxina precise ser ajustada.
São medicamentos que podem exigir aumento da dose da levotiroxina: lítio, amiodarona, xaropes para tosse, carbonato de cálcio, sulfato ferroso, omeprazol entre outros.
São medicamentos que podem exigir diminuição da dose da levotiroxina: amiodarona, medicamentos contendo iodo ou que interfiram na imunidade.

Recomendação 4.

Crie uma rotina e tome a levotiroxina todos os dias da mesma maneira. Eventualmente, se esquecer de tomar a medicação, ingira o comprimido assim que puder, independentemente do horário. Faça disso a exceção e não a regra. A tomada diária, de maneira correta, é importante para se manter os níveis hormonais estáveis.



Siga corretamente as recomendações acima e visite regularmente seu endocrinologista.

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.576 - RQE 22.991
www.facebook.com/drmateusendocrino

Dr. Rafael Selbach Scheffel
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.011 - RQE 19.512

quarta-feira, 2 de agosto de 2017

Como tratar a esteatose hepática (fígado gorduroso)?

Uma vez confirmado o diagnóstico de doença hepática gordurosa não alcoólica, isto é, acúmulo de gordura no fígado de causa metabólica, os próximos passos são avaliar a gravidade do quadro e definir uma estratégia de tratamento. Neste texto, vamos entender quais os principais pontos no manejo da esteatose hepática.



Pode soar um tanto desanimador, mas de todos os tratamentos já investigados para o manejo da esteatose hepática, apenas a perda de peso apresenta uma relação benefício/segurança apropriada. Ou seja, para que o acúmulo de gordura e a inflamação no fígado diminuam, a redução de alguns quilos deve ser o foco! Em um estudo, a perda de 9% do peso garantiu melhora na inflamação das células do fígado em 72% dos indivíduos com esteatose. Nos que perderam apenas 0,2% do peso, a melhora foi de 30 por cento.
A velocidade de perda de peso também parece ser importante. Quando a perda de peso é maior que 1 quilo por semana, pode haver piora dos danos ao fígado. Logo, dietas muito restritivas podem ser prejudiciais.
Nas pessoas com dificuldade em perder peso, o uso de medicamentos como inibidores do apetite pode ser útil, desde que adequadamente indicados e devidamente associados à mudança no estilo de vida. Atividades físicas regulares e uma alimentação caracterizada especialmente por alimentos integrais (frutas, vegetais e cereais integrais), pobre em carboidratos refinados (açúcar, farinha branca, doces e produtos altamente processados) e com a presença de peixes (fonte de ômega 3) são muito bem-vindas.
Como os pacientes com esteatose hepática estão em risco de apresentar tanto complicações cardiovasculares quanto hepáticas, o tratamento de outros fatores de risco para essas comorbidades deve ser instituído. Em outras palavras, os níveis de glicemia, de colesterol, de triglicerídeos e da pressão arterial devem ser cuidadosamente monitorados e tratados. Além disso, o consumo de álcool e cigarros deve ser fortemente desencorajado, e os pacientes ainda não imunizados devem ser vacinados para hepatites virais.
Dos medicamentos até hoje testados para o tratamento específico da esteato hepatite não alcoólica, apenas a vitamina E mostrou redução mais robusta na fibrose hepática. No entanto, seu uso é reservado para pacientes não diabéticos, sem doença vascular documentada e com biópsia do fígado mostrando fibrose, já que seu uso indiscriminado está associado a aumento no risco de morte.
Alguns outros medicamentos estão sendo testados dentro de estudos clínicos, mas até agora nenhum mostrou perfil de eficácia e segurança apropriado quando o objetivo é o tratamento da doença gordurosa hepática.
Em resumo, o tratamento do fígado gorduroso se apoia na mudança do estilo de vida com foco na perda de peso, além da abordagem apropriada dos demais fatores de risco para complicações cardiovasculares e hepáticas. O uso de medicamentos é reservado para casos selecionados.

Fonte: Natural history and management of nonalcoholic fatty liver disease in adults – Up To Date OnLine

Dr. Mateus Dornelles Severo
 Médico Endocrinologista
CREMERS 30.576 - RQE 22.991

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Transplante de Ilhotas Pancreáticas: tire suas dúvidas

O que é a ilhota pancreática?
A ilhota é um conjunto de células do pâncreas que produzem os hormônios responsáveis pelo controle da glicose no sangue. As ilhotas pancreáticas correspondem a uma pequena porção do pâncreas (1-2% do seu volume) sendo o resto do órgão formado por células que secretam enzimas digestivas (células acinares) e que não são afetadas pelo diabetes. A célula mais importante da ilhota é chamada de “célula beta” e produz insulina em resposta ao aumento da glicose no sangue. Os pacientes com diabetes melito tipo 1 apresentam diminuição significativa destas células e incapacidade de produzir insulina, necessitando receber injeções de insulina como tratamento.

O que é o transplante de ilhotas pancreáticas?
 O transplante de ilhotas pancreáticas consiste na separação das ilhotas do restante do pâncreas por meio de um processo chamado de  “Isolamento de Ilhotas” e infusão dessas células em um veia do fígado, sendo este procedimento realizado por um médico radiologista, sem necessidade de cirurgia. Um pequeno tubo é colocado na veia (veia Porta), através de uma punção com agulha pela pele do abdômen, e as ilhotas são infundidas como em uma transfusão de sangue. As ilhotas se alojam em pequenos vasos hepáticos e produzem insulina. Os pâncreas utilizados para o transplante de ilhotas são provenientes de doadores de órgãos em morte cerebral, quando o órgão não é utilizado para transplante do pâncreas inteiro. A parte mais complexa de todo o processo é o Isolamento das Ilhotas, procedimento demorado (4-8 horas por pâncreas), que deve ser realizado por pessoas treinadas e em laboratório especial.

Quem pode receber este transplante?
Este tipo de procedimento somente é indicado para pacientes com diabetes melito tipo 1 (tipo de diabetes decorrente de destruição das células produtoras de insulina e que depende de injeções de insulina para a sobrevivência) que apresentam controle instável da glicose. A instabilidade do diabetes é caracterizada por uma variação imprevisível da glicose, sem um padrão definido e sem causa externa identificável, como por exemplo aumento da atividade física ou jejum prolongado. O controle instável ocasiona hipoglicemia (quedas da glicose) freqüentes, diminuição dos sintomas de alerta da hipoglicemia e hipoglicemias graves, nas quais o paciente não consegue tratar-se sozinho e necessita da ajuda de outras pessoas para recuperar-se. A classificação dos pacientes como portadores de diabetes instável é realizada por meio de avaliação clínica e por análise de questionários específicos preenchidos pelos pacientes. No caso de confirmação do diabetes instável, e após a falha das tentativas clínicas de tratamento, o transplante de ilhotas pode ser considerado.
O transplante não é indicado para todos os pacientes com diabetes melito tipo 1 porque existem alguns riscos associados ao tratamento, principalmente os relacionados ao uso de medicamentos imunossupressores ou anti-rejeição. Estes medicamentos são necessários para evitar que o paciente rejeite as células transplantadas, mas apresentam como efeitos colaterais a diminuição das defesas do organismo, aumentando o risco de infecções. Também aumentam o risco de tumores de pele, que podem ser prevenidos com o uso de protetores solares. Estes medicamentos ainda podem piorar o controle da pressão arterial e das gorduras do sangue, mas estes efeitos são controlados com o uso de medicamentos para pressão e para o colesterol. Assim, se o paciente tem o diabetes adequadamente tratado com insulina e não apresenta um controle muito instável, ainda é preferível manter o tratamento com a insulina.
Outro tipo de paciente que pode se beneficiar desse transplante são os pacientes com diabetes melito do tipo 1 que já receberam um transplante de rim. Estes pacientes necessitam receber os medicamentos imunossupressores para evitar a rejeição do rim. Então o transplante de ilhotas pode ser realizado sem aumento significativo de risco para o paciente.

Quais são os resultados do transplante? 
Os benefícios do procedimento são normalização da glicose, término das hipoglicemias, recuperação dos sintomas de hipoglicemia e melhora da qualidade de vida. Além disso, alguns estudos indicam que a normalização da glicose resultante do transplante ocasiona prevenção e/ou estabilização da retinopatia diabética, da doença renal e cardíaca. Em alguns pacientes é possível suspender a insulina após um único transplante, mas a maioria necessita de mais de uma infusão para atingir este objetivo. No entento, mesmo os pacientes que não ficam livres da insulina ou que ao longo do tempo necessitam reiniciá-la permanecem com benefícios do transplante, como necessidade de doses bem menores de insulina, estabilidade do controle da glicose, ausência de hipoglicemias graves e permanecem com melhora da qualidade de vida vários anos após o procedimento.

Onde este transplante é realizado?
Em diversos países, como Canadá e Suécia, o transplante de ilhotas é realizado como procedimento de rotina, sendo finaciado pelos respectivos sistemas de saúde. No Brasil, alguns transplantes foram realizados em São Paulo, mas atualmente nenhum Hospital está realizando este procedimento. O Hospital de Clínicas de Porto Alegre tem um laboratório equipado e uma equipe treinada para realizar o Isolamento de Ilhotas. O ínicio da realização dos transplantes depende de liberação de financiamento junto ao Ministério da Saúde.

Quais são os avanços esperados no futuro?
Diversos estudos vêm sendo realizados nos últimos anos com o objetivo de aprimorar os resultados do transplante de ilhotas, permitindo que mais pacientes obtenham os benefícios do transplante. O uso de medicamentos anti-rejeição com menos efeitos colaterais e de medicamentos “protetores” das ilhotas têm permitido a suspensão da insulina após um único transplante e que até 50% dos pacientes permaneçam sem insulina após 5 anos do procedimento. Além disso, estratégias para produzir “tolerância imunológica”, isto é impedir que o paciente reconheça o transplante como algo estranho ao organismo e o rejeite, ou o uso de células tronco do próprio paciente como fonte de células produtoras de insulina poderá, no futuro, permitir a realização do transplante sem a necessidade de uso de medicamentos anti-rejeição.

Dra. Cristiane Bauermann Leitão
Professora do Serviço de Endocrinologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, do Departamento de Medicina Interna e do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas: Endocrinologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Dra. Andrea Carla Bauer
Professora do Serviço de Nefrologia do Hospital de Clínicas de Porto Alegre, Professora do Departmento de Medicina Interna e do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas: Endocrinologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

Dra. Daisy Crispim
Coordenadora do Laboratório de Biologia da Célula Beta e Isolamento de Ilhotas do Hospital de Clínicas de Porto Alegre e professora do Programa de Pós-graduação em Ciências Médicas: Endocrinologia da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.